
Falar do Movimento Pró-Vida é trazer a baila diversos questionamentos que devem ser avaliados sob vários ângulos, e um deles é a questão do ABORTO, a qual se pode analisar sob diversos pontos de vista:
1 – ANTROPOLÓGICO: matar um ser humano; 2 – CIENTÍFICO: ignorar que a vida de um indivíduo humano começa na concepção; 3 – JURÍDICO: negar o direito do bebê à vida; 4 – MÉDICO: quando se mata o bebê e prejudica a mulher em sua saúde, sobretudo psicologicamente; 5 – ÉTICO: quando se discrimina os seres humanos; 6 – SOCIAL: desumaniza a sociedade; 7 – RELIGIOSO: quando se desconsidera que a vida é um dom de Deus.
Neste momento, importante se faz abordar o ponto de vista religioso, refletindo–se primeiramente que a defesa da vida é um dos pilares centrais da doutrina católica: “Não matarás (Êxodo 20,13), quinto mandamento, aplicado também a vida intrauterina. Deus nos mostra que nos teceu (Salmo 139,13) e nos escolheu desde o ventre materno (Jeremias 1,5).
De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, o aborto direto, ou seja, aquele realizado com a intenção de provocar a morte do embrião, é inaceitável em qualquer circunstância. A Igreja ensina que a vida começa na concepção, momento em que ocorre a união do óvulo com o espermatozóide, formando um novo ser humano, dotado de alma e dignidade própria.
O Magistério da Igreja reforça essa visão em diversos documentos, como na Encíclica “Evangelium, Vitae” (O Evangelho da Vida), do Papa João Paulo II, que declara o aborto como uma grave violação dos direitos humanos, especialmente do direito mais fundamental que é o direito à vida do nascituro. Nesse documento, a prática do aborto é classificada como um pecado grave, que fere não apenas a vida do nascituro, mas também toda a sociedade, por contribuir com a chamada “cultura da morte”, conforme se lê:
A Encíclica Evangelium Vitae foi promulgada pelo Papa João Paulo II. Ela reza em seu número 58:
{…} “A gravidade moral do aborto provocado aparece em toda a sua verdade, quando se reconhece que se trata de um homicídio e, particularmente, quando se consideram as circunstâncias específicas que o qualificam. A pessoa eliminada é um ser humano que começa a desabrochar para a vida, isto é, o que de mais inocente, em absoluto, se possa imaginar: nunca poderia ser considerado um agressor, menos ainda um injusto agressor! É frágil, inerme, e numa medida tal que lhe deixa privado inclusive daquela forma mínima de defesa constituída pela força suplicante dos gemidos e do choro do recém-nascido. Está totalmente entregue à proteção e aos cuidados daquela que o traz no seio. E, todavia, às vezes, é precisamente ela, a mãe, quem decide e pede a sua eliminação, ou até a provoca. É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um caráter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, temem-se para o nascituro, condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas estas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente.” (número 58)
Este cenário ao invés de diminuir está se dilatando. Nascem outras formas de atentados à dignidade do ser humano, enquanto se arquiteta e se fortalece uma nova situação cultural que vai dando aos crimes contra a vida um aspecto atípico e ainda mais cruel. Opções, que antes eram unanimemente consideradas criminosas e rejeitadas pelo senso moral comum, tornam-se pouco a pouco socialmente respeitáveis.
Na consciência coletiva, estão perdendo o caráter de “crimes” para assumir paradoxalmente, o caráter de “direitos”. Mais grave ainda, é o fato de serem consumados, em grande parte, no seio e por obra da família, que está, pelo contrário, chamada essencialmente a ser “santuário da vida”.
Ao final da referida Encíclica, do Papa João Paulo II, composta pelos capítulos de conclusão, ele faz um forte apelo à construção de uma nova cultura de vida. Nessa parte, o Papa reafirma a dignidade inviolável de toda vida humana e conclama a todos – Igreja, sociedade civil, governantes, cientistas, famílias e jovens a serem “povo da vida e para vida”.
Inclui também uma oração à Virgem Maria, pedindo sua intercessão na defesa e promoção da vida. Essa oração, conhecida como oração da Evangelium Vitae (parágrafo 105) é um dos trechos mais conhecidos do documento:
Ó Maria, aurora do mundo novo, Mãe dos viventes,
confiamo-Vos a causa da vida:
olhai, Mãe, para o número sem fim de criaturas
que, desde o ventre materno, se encontram em perigo
e olhai, Mãe, para os que sofreram atentados
à sua inviolabilidade.
Confiamo-Vos a causa da vida:
confiamos-Vos a causa da paz,
que se edifica com a defesa da vida,
com o respeito pela vida,
com a proteção da vida.
Amém.
Que a Virgem Maria interceda para que a vida seja valorizada e protegida, para que a cultura da vida se espalhe e as ameaças à vida humana sejam superadas.
A Coordenadora do Movimento Pró-Vida é Vilma Coimbra Mendonça. Maiores informações na Secretaria Paroquial pelo telefone (21) 99930-3446.